
"Das profundezas clamo a ti, Senhor."
Essa é a abertura do Salmo 130. Sem introdução suave. Sem preparo. Das profundezas, e já está clamando.
O que me chama atenção não é a crise. É que mesmo das profundezas, a direção do clamor é para cima. A pessoa está no fundo, mas ainda sabe onde está o alto.
Tem uma mentira que acompanha quem ficou longe de Deus por algum tempo. A mentira diz que o afastamento criou uma distância que precisa ser percorrida antes de você chegar. Que você precisa se preparar, melhorar um pouco, resolver as coisas mais óbvias primeiro, e aí sim voltar.
O Salmo 130 não funciona assim.
Davi não sobe das profundezas antes de clamar. Ele clama das profundezas. A volta não é depois de se preparar. A volta é o próprio grito de onde você está.
"Há perdão contigo, para que sejas temido." (v.4). O perdão não está condicionado à sua trajetória de melhora. Está no caráter de Deus. Você pode chegar cansado, sujo de processo, sem ter resolvido tudo, e ainda assim estar no lugar certo.
Voltar não apaga o tempo longe. Mas também não exige que você finja que o tempo longe não existiu. Você volta como está. E Deus recebe como é.
Senhor, que eu saiba que posso Te chamar de onde estou. Que o caminho de volta começa no primeiro grito, não depois de chegar pronto.
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