
Por um bom tempo eu li o Salmo 139 com desconforto.
"Para onde me irei do teu Espírito? E para onde fugirei da tua face?" (v.7). Parecia uma advertência. Como se Deus estivesse dizendo: não adianta tentar fugir, eu te acho em todo lugar.
Mas lendo mais devagar, o tom não é de ameaça. É de intimidade.
Davi não está descrevendo a onipresença de Deus como armadilha. Está descrevendo como abrigo. "Mesmo que eu faça a minha cama no Sheol, tu estás lá." (v.8). Até no pior lugar imaginável, não está sozinho.
E aí veio a pergunta que mudou minha leitura: e se ser completamente conhecido for, na verdade, o que eu mais preciso?
A gente gasta muita energia administrando o que os outros veem. A versão que aparece. A que está bem. A que tem as respostas. Mas Deus já viu tudo. O pensamento de antes da oração. A motivação por trás da ação bonita. A mágoa que você não contou pra ninguém.
E ainda assim o salmo termina com um pedido: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração." (v.23). Davi não está pedindo pra Deus ver mais. Está dizendo: veja tudo, e me liberte do que me prende.
Ser completamente conhecido por Deus não é ameaça. É o único lugar onde você não precisa performar.
Senhor, que eu deixe de tentar esconder o que Tu já vês. Que ser completamente conhecido por Ti seja meu descanso, não meu medo.
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