
"Quando eu me calei, envelheceram os meus ossos." (Salmo 32:3)
Essa imagem é física. Davi não está sendo poético por hábito. Ele está descrevendo o que o silêncio sobre o pecado fez com o seu corpo, com a sua energia, com a sua disposição.
Guardar o erro envelhece.
Eu conheço esse envelhecimento. Não sempre de pecados enormes, às vezes de coisas que eu fiz e não reconheci, que eu devia ter dito e não disse, que eu precisava pedir desculpa e deixei passar. Cada uma dessas coisas não resolvidas ocupa espaço. E o espaço ocupado por culpa não processada é espaço roubado de paz.
O Salmo 32 é a outra face do Salmo 51. Lá Davi confessa. Aqui ele descreve o que veio antes da confissão: o peso de ficar quieto. E depois: o alívio de falar.
"Confessei-te o meu pecado e não encobri a minha iniquidade... e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado." (v.5). A sequência é rápida no texto. Na vida real é mais lenta. Mas o mecanismo é o mesmo. Falar. Nomear. Trazer pra luz.
O arrependimento não é humilhação. É higiene da alma. É tirar o que estava pesando e deixar que alguém maior do que você carregue.
O que você está calando que está envelhecendo os seus ossos?
Senhor, que eu não carregue em silêncio o que poderia trazer a Ti. Que o arrependimento seja caminho, não punição.
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