
Eu conheço as três da manhã.
Não a bonita, com estrelas e silêncio poético. A outra. A que você está acordado sem querer, com o pensamento rodando, a preocupação maior do que o sono, e a sensação de que o resto do mundo está descansando enquanto você não consegue.
O Salmo 77 começa exatamente ali.
"Com a minha voz clamei a Deus; com a minha voz clamei a Deus, e ele me deu ouvidos." (v.1). Depois vem o relato da noite: a mão estendida sem cessar, a alma que recusava consolação, os olhos que não fechavam.
Davi não estava bem. E ele não fingiu estar.
O que me surpreende no salmo é a virada. Não vem de circunstância nova. Não vem de resposta chegando. Vem de uma decisão de memória: "Lembrarei das obras do Senhor; sim, lembrarei das tuas maravilhas antigas." (v.11).
No meio da noite longa, sem resposta imediata, ele volta para o que já aconteceu. Volta pra história. E a história de Deus é fiel o suficiente pra sustentar a noite atual.
Se você está acordado agora e o peso é pesado, você não precisa ter certeza de que vai passar. Você precisa de uma memória. Uma coisa que Deus já fez que seja grande o suficiente pra fazer peso contra o que está te mantendo acordado.
Qual é a sua memória de fidelidade?
Senhor, nas noites longas, que eu saiba buscar a memória do que Tu já fizeste. Que a Tua história fiel seja âncora suficiente pra noite que ainda não passou.
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