
Tem uma fase da vida em que a oração encolhe.
Não porque você parou de acreditar. Mas porque as palavras secaram. Você abre a boca, fecha, e o que sai é só ar. Um cansaço que não tem nome ainda.
Eu passei por isso.
E foi num desses momentos que o Salmo 62 encontrou a mim. "Na verdade, a minha alma descansa em Deus somente; porque dele vem a minha salvação." (v.1). Tem uma palavra ali que me parou: somente. Não "principalmente". Não "entre outras coisas". Somente.
Davi não estava num dia fácil quando escreveu isso. O versículo 3 fala de inimigos tentando derrubá-lo. O contexto é pressão, não tranquilidade. E ainda assim ele diz: minha alma descansa.
Isso não é resignação. É escolha.
Descansar em Deus quando você tem o que pedir é relativamente simples. Você faz uma lista, ora, agradece, fecha. Mas descansar quando você não sabe nem o que pedir — isso é outra coisa. Isso é confiar sem script.
A oração mais honesta que eu já fiz foi três palavras: "Eu não sei." E largar. Largar a necessidade de ter as palavras certas, o pedido certo, a fé certa. Só ficar diante de Deus como sou, sem roteiro.
E o curioso é que naquele espaço vazio, sem as palavras todas, foi onde eu senti mais claramente que não estava sozinho.
Deus não precisa da sua eloquência. Ele já sabe o que está dentro. O que Ele quer é você ali. Presente. Mesmo sem saber o que dizer.
Senhor, quando as palavras acabam, que eu saiba que o silêncio diante de Ti também é oração. Que eu aprenda a descansar antes de entender.
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