
Vinte e seis vezes.
É quantas vezes o Salmo 136 repete a mesma frase: "porque a sua misericórdia dura para sempre."
Cada ação de Deus mencionada no salmo, criação, livramento, provisão, vitória, é seguida por essa mesma conclusão. Como um refrão que não cansa. Como alguém que está contando uma história e para a cada parágrafo pra dizer: e olha o que isso significa.
No começo eu li isso como recurso poético. Depois percebi que é muito mais do que isso.
Repetir é uma forma de não esquecer. Quando você repete uma verdade vinte e seis vezes, você está resistindo ao esquecimento. Está lutando contra a tendência humana de deixar que o dia ruim de hoje apague o que Deus fez ontem.
Louvor que funciona é louvor que lembra. Não é sentimento espontâneo que aparece quando você está bem. É exercício deliberado de memória. É sentar, mesmo cansado, e enumerar. Não pra convencer Deus de que você é grato. Mas pra convencer você mesmo de que há motivo pra continuar.
A misericórdia não durou até ontem. Não dura até quando as coisas estão bem. Ela dura para sempre. E "para sempre" inclui hoje, esse dia específico, esse momento específico em que você está lendo isso.
Que verdade você precisa repetir hoje até acreditar de novo?
Senhor, que eu não esqueça o que Tu já fizeste. Que o louvor seja minha forma de resistir ao esquecimento nos dias em que o presente pesa mais que a história.
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