
Tem salmos que a gente passa rápido.
Os chamados salmos de imprecação. Onde Davi pede que seus inimigos sejam destruídos. Que os filhos deles fiquem órfãos. Que ninguém tenha misericórdia deles. São versículos pesados, e a reação comum é: isso não parece muito cristão.
Mas eles estão lá. E isso importa.
O Salmo 55 é um deles. Davi foi traído por alguém próximo, provavelmente um amigo. E ele diz: "Que a morte os surpreenda; desçam vivos ao inferno." (v.15). Duro. Sem rodeios.
Por que Deus preservou isso?
Eu acredito que é porque a alternativa, guardar essa raiva dentro, sem lugar pra colocar, é muito mais perigosa. Davi não foi atrás dos inimigos. Ele foi atrás de Deus com os inimigos. Levou a raiva pro lugar certo.
Isso não é licença pra desejar mal às pessoas da sua vida. Mas é uma permissão pra não fingir que a raiva não existe.
A espiritualidade saudável não elimina as emoções difíceis. Ela cria um canal pra elas. Você pode ir a Deus com raiva. Com mágoa. Com o que você sente de um jeito que não parece muito bonito. Ele já sabe de qualquer forma.
O que os salmos de imprecação me ensinam é: seja honesto com Deus antes de ser honesto com qualquer pessoa. Deixa sair na oração o que ainda não está processado. E depois, com mais leveza, enfrenta o mundo.
Senhor, que eu aprenda a Te trazer o que está feio dentro de mim. Que eu saiba que Tu és seguro o suficiente pra receber o que ainda não estou pronto pra mostrar pra ninguém.
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