
Brennan Manning:A liberdade de abandonar o “eu falso” e viver como filho
Há livros que expõem o mundo. Outros expõem o coração.
O Impostor que Vive em Mim faz as duas coisas, e não pede licença.
Esta não é uma leitura confortável. Brennan Manning escreve com uma honestidade quase desconcertante sobre a distância entre quem somos por dentro e quem tentamos parecer por fora. Ele fala de máscaras, religiosidade, medo de rejeição e da constante tentativa de provar valor, inclusive diante de Deus.
Ao longo das páginas, somos apresentados ao “eu falso”, aquele personagem que criamos para sermos aceitos, admirados e espiritualmente respeitáveis. O impostor não é apenas alguém hipócrita; é o personagem que desenvolvemos para sobreviver. Para não sermos rejeitados. Para parecermos fortes. Até mesmo dentro da igreja.
Manning não escreve como quem ensina de cima. Ele escreve como alguém que caiu, levantou, caiu de novo e decidiu contar a verdade. Isso dá ao livro uma força rara. Não há fórmulas. Há confissão. Há graça. Há confronto.
Um dos pontos centrais da obra é a diferença entre viver como “filho” e viver como “funcionário” de Deus. O impostor vive tentando merecer amor. O filho vive a partir dele.
Essa distinção muda tudo.
Enquanto o impostor constrói performance, o filho descansa na identidade. Enquanto o impostor teme ser descoberto, o filho aprende a ser conhecido.
É uma leitura que pede silêncio. Combina com uma tarde calma, um café forte e disposição para encarar perguntas que não têm respostas rápidas. Não é um livro para quem busca frases bonitas, mas para quem deseja verdade, mesmo quando ela dói um pouco.
No fim, O Impostor que Vive em Mim não aponta para culpa, mas para liberdade. Não para desempenho, mas para identidade.
E talvez essa seja a maior cura que muitos de nós precisamos.

Sobre o livro
O impostor que vive em mim
- Autor
- Brennan Manning
- Tradução
- Marson Guedes
- Ano
- 2007
- Editora
- Mundo Cristão
- Páginas
- 192
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