
A. W. Tozer
Há livros que informam. Outros transformam.
Em Busca de Deus pertence, sem dúvida, ao segundo grupo.
Quando peguei este livro pela primeira vez, pensei que seria uma leitura rápida. Ele é pequeno, direto, quase discreto. Mas bastaram poucas páginas para entender que eu estava enganado. Este não é um livro para ser devorado com pressa,é um livro para ser saboreado, em silêncio, com o coração atento e, se possível, precedido de oração.
Escrito em 1949, o texto de Tozer impressiona pela atualidade. Ele descreve uma realidade que parece ter sido escrita para os nossos dias: cristãos que frequentam cultos, conhecem os rituais, cumprem horários, mas continuam espiritualmente famintos. Pessoas sentadas à mesa do Pai e, ainda assim, com a alma vazia.
A grande pergunta que ecoa ao longo da leitura é desconfortável, porém necessária:
estamos realmente buscando Deus ou apenas praticando religião?
Tozer não critica a fé, ele confronta a superficialidade. Ele nos leva a perceber que é possível falar de Deus, cantar sobre Deus e até trabalhar para Deus sem, de fato, andar com Ele. A aparência de espiritualidade, quando não nasce de um relacionamento real, se torna apenas um hábito bonito… e vazio.
Ao longo da leitura, somos convidados a abandonar a ilusão do controle. O autor insiste que só é possível conhecer Deus quando aprendemos a soltar, soltar o apego às coisas, às posições, à própria ideia de segurança. Em um mundo que nos ensina a acumular, Tozer nos lembra que o verdadeiro encontro com Deus começa quando reconhecemos nossa pobreza espiritual.
Quem acha que tem tudo, dificilmente se lança de joelhos em busca do Eterno.
Outro ponto marcante do livro é o chamado à honestidade interior. Mesmo com o caminho aberto por Cristo, muitos de nós ainda insistimos em viver atrás de véus: orgulho, medo, carnalidade não tratada, religiosidade mecânica. Deus não está distante. Ele não se esconde. O problema é que, muitas vezes, somos nós que não queremos ser vistos de verdade.
Tozer também enfatiza que conhecer Deus não é apenas sentir, é obedecer. A obediência à Palavra abre os olhos espirituais e nos permite enxergar além do visível. Sem ela, continuamos tentando entender o mundo espiritual com lentes humanas, e inevitavelmente nos frustramos.
Um dos confrontos mais atuais do livro está na forma como lidamos com o tempo. Vivemos ocupados, acelerados, distraídos. Oramos pouco. Lemos pouco a Bíblia. Ainda assim, cobramos de Deus uma presença que Ele nunca deixou de oferecer. Sua presença é constante e universal, o que falta, muitas vezes, é nossa atenção.
Tozer lembra que Deus continua falando. Ele nunca parou. Fala pela Palavra, pelo Espírito, pelo silêncio. Mas ouvir exige sensibilidade, fé e um coração disposto a crer que Ele realmente se comunica conosco.
A incredulidade moderna não é a negação de Deus, mas a dificuldade de acreditar que Ele ainda se importa em falar.
À medida que o livro avança, o autor nos conduz a um lugar de rendição mais profunda. A fé passa a ser descrita como um “olhar fixo” da alma, quando o coração se alinha com Deus, o restante da vida encontra ordem.
O descanso verdadeiro não vem da ausência de problemas, mas da entrega sincera do fardo que insistimos em carregar sozinhos.
O texto não ignora o pecado nem suaviza suas consequências. Pelo contrário, Tozer é direto, às vezes duro. Mas ele nunca termina no confronto. Sempre aponta para o descanso, para a mansidão, para a liberdade que existe quando confiamos plenamente em Deus e deixamos de lutar com as próprias forças.
No final, Em Busca de Deus nos lembra que toda a vida pode ser um ato de adoração. Não fomos chamados para nos comparar, competir ou provar espiritualidade. Cada um recebeu um chamado, um caminho e um propósito.
Deus está mais perto do que imaginamos, a uma oração de distância, esperando apenas uma busca sincera e incondicional.
Ao fechar o livro, ficam perguntas que não se apagam facilmente:
Minha alma realmente anseia por Deus?
Como tem sido minha busca por Ele?
Tenho vivido um relacionamento real ou apenas cumprido rituais religiosos?
Este não é um livro para quem quer fórmulas rápidas ou respostas fáceis.
É um livro para quem sente que precisa voltar ao essencial.
Se você percebe que sua fé se tornou automática, se sente que algo está faltando ou se deseja um relacionamento mais profundo e verdadeiro com Deus, este livro não é apenas uma leitura recomendada, é um convite.
Um convite à busca.
Um convite à presença.
Um convite a Deus.

Sobre o livro
Em Busca de Deus
- Autor
- A. W. Tozer
- Tradução
- Teodoro J. Cabral
- Ano
- 2017
- Editora
- Editora Vida
- Páginas
- 155
Se este conteúdo te ajudou, compartilhe com alguém.